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Os acidentes envolvendo motocicletas geraram um custo de R$ 148,6 milhões para a rede hospitalar pública da Bahia apenas em 2025. O levantamento da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) aponta uma pressão crescente sobre o Sistema Único de Saúde, com um aumento contínuo nos gastos anuais, que somaram R$ 138 milhões em 2024 e R$ 115,8 milhões em 2023.
O custo médio de internação por paciente é estimado em R$ 10,6 mil, valor que engloba desde o atendimento inicial no Samu até procedimentos cirúrgicos e reabilitação. O tempo médio de permanência hospitalar é de sete dias, podendo se estender para 15 dias nos quadros mais graves que exigem internação em UTI. A região Centro-Leste concentrou o maior impacto financeiro, com R$ 45,7 milhões em custos, seguida pela região Leste, com R$ 36,9 milhões.
O perfil das vítimas revela que 81% dos pacientes são homens, majoritariamente na faixa entre 18 e 40 anos. Muitos são trabalhadores que utilizam a moto como fonte de renda, como motoboys e entregadores por aplicativo. De acordo com a Sesab, as lesões provocadas por esses acidentes são complexas, incluindo fraturas expostas, traumas de coluna e amputações, o que mobiliza diversas áreas da assistência hospitalar, desde a neurocirurgia até o banco de sangue.
No Hospital Ortopédico do Estado da Bahia (HOEB), o reflexo dessa realidade é direto: 60% dos atendimentos de urgência regulados mensalmente são decorrentes de acidentes de trânsito, sendo que 40% desse total envolvem motociclistas. A Secretaria da Saúde alerta que, além do alto custo assistencial, o cenário gera graves impactos sociais, como o afastamento prolongado do trabalho e sequelas permanentes para as vítimas.