Por: Redação / Blog Sudoeste | sex, 28/08/2026 - 00:00
A Justiça de São Paulo manteve a prisão preventiva da advogada e influenciadora Deolane Bezerra e de outros cinco réus envolvidos na Operação Vérnix. A decisão, tornada pública nesta quinta-feira (27), ocorre após a reavaliação obrigatória dos 90 dias de detenção, completados no último dia 21 de agosto.
O magistrado responsável pelo caso justificou a manutenção da medida pela necessidade de garantir a ordem pública e econômica, além de assegurar a instrução criminal. Segundo a decisão, a prisão é uma providência proporcional à gravidade das condutas atribuídas aos investigados, que estariam envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com o Ministério Público, a organização operava em núcleos distintos. Deolane é apontada como a principal integrante do núcleo financeiro, sendo suspeita de utilizar suas contas e empresas para movimentar e ocultar valores de origem supostamente ilícita, convertendo os recursos em bens de alto valor. Os líderes do núcleo decisório seriam Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior.
Em nota, a defesa da influenciadora classificou a decisão como manifestamente desnecessária e ilegal. Os advogados sustentam que Deolane é inocente, não possui vínculos com facções criminosas e que sua movimentação financeira é fruto de atividades empresariais lícitas e honorários advocatícios. A defesa informou que seguirá com medidas judiciais para tentar reverter a prisão.
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora da CPI das Bets, apresentou nesta terça-feira (10) o relatório final da comissão, recomendando o indiciamento de 16 pessoas, entre elas as influenciadoras digitais Virginia Fonseca e Deolane Bezerra, além de empresários e representantes de casas de apostas. O documento será lido no plenário do Senado e a votação deve ocorrer ainda nesta semana. De acordo com o relatório, Virginia Fonseca é acusada de publicidade enganosa e estelionato por simular apostas em contas de demonstração durante campanhas publicitárias, induzindo seguidores ao erro ao sugerir ganhos fáceis com apostas online. Já Deolane Bezerra é apontada por crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, além de participação em jogos de azar e loteria não autorizada. O texto também cita movimentações financeiras incompatíveis com as declarações de renda de Deolane e familiares. A CPI das Bets identificou crimes como lavagem de dinheiro, evasão fiscal, manipulação algorítmica de resultados, organização criminosa e destacou o impacto social das apostas online, especialmente sobre famílias de baixa renda. O relatório recomenda uma regulação mais rígida do setor, incluindo a criação de uma entidade nacional independente para fiscalização, cadastro nacional de apostadores, restrição à publicidade e responsabilização de influenciadores que promovam jogos de azar de forma enganosa. O relatório final será encaminhado ao Ministério Público e à Advocacia-Geral da União, que decidirão sobre possíveis denúncias e medidas judiciais. O parecer também propõe 18 projetos de lei para endurecer a legislação sobre apostas online no Brasil.