O vereador Zeferino De Paula Lima Neto (Zifa) (PCdoB) fez um duro pronunciamento na Câmara de Vereadores de Livramento de Nossa Senhora nesta sexta-feira (10), ao reagir às críticas feitas pelo colega Ronilton Carneiro (Batata) (Rede), sobre investimentos da gestão da prefeita Joanina Batista Silva Morais Sampaio nas áreas de educação e inclusão.
Durante a sessão, Zifa saiu em defesa da administração municipal e afirmou que as declarações do parlamentar sobre gastos com programas educacionais, livros de inglês no EJA/EPEJAI, Arena da Inclusão e energia solar nas escolas demonstraram falta de conhecimento técnico sobre os temas. Em um dos trechos mais fortes da fala, ele chegou a classificar o discurso do colega como “capacitista” e “etarista”, ao criticar comentários relacionados a idosos e pessoas com deficiência.
“Eu quero fazer esse react em relação à fala do meu nobre colega Batata sobre umas questões que eu confesso que doeu na alma”, disse Zifa, ao iniciar sua resposta. Em seguida, afirmou que o vereador teria falado “por ignorância”, explicando que usava o termo no sentido de falta de propriedade sobre o assunto, e não de forma ofensiva.
Ao rebater as críticas sobre os investimentos em inclusão, o parlamentar defendeu a realização da Arena da Inclusão, iniciativa promovida pela atual gestão, e afirmou que a ação representou uma pauta inédita no município. Segundo ele, o evento teve repercussão regional e simboliza uma mudança de visão administrativa em relação a temas sociais.
Sem citar diretamente o ex-prefeito Ricardo Ribeiro nesse trecho, Zifa também fez uma crítica indireta à gestão anterior ao afirmar que Livramento teve, no passado, “um prefeito de uma pauta só: concreto, cimento e coisa cinza”, em referência ao foco em obras físicas sem priorizar, segundo ele, pautas humanas e inclusivas.
Outro ponto de confronto foi a crítica feita por Batata sobre a distribuição de livros de inglês para alunos da EJA/EPEJAI, muitos deles idosos. Zifa afirmou que o material é disponibilizado gratuitamente por meio do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e defendeu que o aprendizado de uma nova língua pode contribuir para autoestima, cognição e qualidade de vida dos estudantes da terceira idade.
“O senhor fala que o idoso não pode ler inglês. Isso é um erro. O inglês ajuda no processo cognitivo, ajuda até a prevenir Alzheimer e dá autoestima ao idoso”, declarou.
Na mesma linha, o vereador também respondeu às críticas sobre o investimento de aproximadamente R$ 9 milhões em energia solar para unidades escolares. Segundo ele, a escolha de uma empresa não deve ser pautada apenas pelo menor preço, mas pela qualidade do serviço e pela eficiência, respeitando critérios previstos na nova Lei de Licitações.
Zifa argumentou que, em alguns casos, optar pela proposta mais barata pode resultar em prejuízos futuros, e disse que a gestão atual busca soluções mais eficientes e duradouras para a rede municipal de ensino. Durante o discurso, ele ainda citou reportagem da 88 FM para sustentar que a instalação de energia solar nas escolas representa avanço em sustentabilidade, economia e inovação para Livramento.
Além de defender as ações da Prefeitura, o vereador também elogiou a condução da prefeita Joanina e a atuação da Secretaria Municipal de Educação, destacando indicadores recentes e avanços na alfabetização.
Ao final, Zifa manteve o tom crítico em relação ao colega, mas reforçou que acredita que as declarações feitas por Batata não teriam partido de má-fé, e sim de desconhecimento sobre as políticas públicas debatidas.
O presidente da Câmara de Vereadores de Livramento de Nossa Senhora, Aparecido Lima da Silva (Cidão Aracatu), rebateu nesta sexta-feira (10) uma declaração do ex-prefeito Ricardo Ribeiro que voltou a circular nas redes sociais nos últimos dias, sobre a situação financeira deixada para a atual gestão municipal.
Durante sessão legislativa, Cidão contestou a narrativa de que a administração anterior teria deixado recursos livres em caixa para a prefeita Joanina Batista Silva Morais Sampaio. Segundo ele, embora valores tenham permanecido nas contas do município, esses recursos já estavam comprometidos com obras em andamento e despesas empenhadas, o que impedia seu uso livre pela nova administração.
A fala do presidente da Câmara faz referência a uma declaração pública dada por Ricardo Ribeiro em janeiro de 2025, durante a cerimônia de transição de cargo para a prefeita Joanina, quando o ex-prefeito afirmou ter deixado recursos em caixa para a gestão seguinte. Nos últimos dias, esse discurso voltou a repercutir nas redes sociais, em meio ao debate sobre o projeto que autoriza a Prefeitura a contratar um empréstimo de até R$ 100 milhões.
“É fácil dizer que deixou R$ 20 milhões no caixa. Mas esses R$ 20 milhões tinham compromisso, estavam empenhados com empresas e obras que precisavam ser concluídas”, afirmou Cidão Aracatu durante o pronunciamento na Câmara.
Segundo o parlamentar, o ponto que precisa ser esclarecido à população é que o dinheiro remanescente citado pela gestão anterior não estava livre para novos investimentos, pois já possuía destinação definida e estava vinculado a contratos e obrigações herdadas.
Na avaliação de Cidão, a narrativa de que a atual prefeita recebeu recursos disponíveis para investir livremente “não se sustenta”, justamente porque parte do valor deixado em caixa já estava comprometida com pagamentos de obras e despesas da gestão passada.
Durante a mesma sessão, o presidente da Câmara também saiu em defesa do projeto que autoriza o município a contratar um financiamento de até R$ 100 milhões. Para ele, a operação pode ser importante para viabilizar obras estruturantes em diversas regiões do município, desde que haja fiscalização rigorosa por parte do Legislativo.
Cidão destacou ainda que a atual administração enfrenta limitações financeiras porque, além de manter as obrigações atuais em dia, também estaria arcando com parcelamentos e débitos herdados de gestões anteriores, o que, segundo ele, reforça a necessidade de buscar novas fontes de investimento.
Ao defender o empréstimo, o vereador afirmou que a operação pode variar entre R$ 51 milhões e R$ 100 milhões, e declarou apoio à aprovação do projeto, desde que os recursos sejam acompanhados de perto pela Câmara.
Ele afirmou que os vereadores devem fiscalizar licitações, execução das obras, qualidade dos materiais e prestação de contas, para garantir que o dinheiro seja aplicado corretamente e revertido em benefícios concretos para a população.
Entre os possíveis destinos dos recursos, Cidão citou obras de infraestrutura e pavimentação para localidades como Iguatemi, São Timóteo, Mucambo, Vazinha e Tanajé, defendendo que os investimentos podem impulsionar o desenvolvimento de Livramento de Nossa Senhora.
Ao final, o presidente da Câmara reforçou que apoia a contratação do financiamento, mas deixou claro que, caso o recurso seja aprovado, a gestão municipal terá de aplicar corretamente cada valor, enquanto o Legislativo deverá exercer fiscalização permanente sobre todo o processo.
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