Por: Alan Rich / Blog Sudoeste | qui, 07/05/2026 - 11:00
A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista aprovou nesta quarta-feira (6) o projeto que reconhece o Festival Suíça Bahiana (FSB) como patrimônio cultural e imaterial do município, no Sudoeste da Bahia. A decisão reforça a importância de um dos principais eventos da cena artística e econômica da região, consolidando seu legado de 16 anos.
Criado em 2010, o FSB já integrava o calendário oficial da cidade desde 2020. O evento se estabeleceu como referência na valorização da música autoral, da produção independente e da diversidade artística, atraindo artistas locais, estaduais e nacionais e fortalecendo a economia criativa.
O projeto de lei, de autoria do vereador Subtenente Muniz (PDT), formaliza o legado histórico e social do festival. A aprovação prevê medidas para a preservação e continuidade do evento, além de abrir caminho para maior apoio institucional e cooperação do poder público. Gilmar Dantas, produtor cultural e fundador do Coletivo Suíça Bahiana, destacou que o reconhecimento garante maior segurança institucional e legitimidade para buscar parcerias, assegurando o crescimento do festival sem perder sua essência.
A próxima edição do Festival Suíça Bahiana está marcada para 17 e 18 de outubro de 2026, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Com o tema "Nosso maior patrimônio é a cultura", o evento deve reunir mais de 30 atrações do Brasil e de outros países, como Inglaterra, Argentina, México e Senegal. Nomes como Hamilton de Holanda Trio, Duda Beat e Pierre Onassis estão entre os destaques da programação.
O Terreiro Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra, localizado em Lençóis, na Chapada Diamantina, foi tombado como Patrimônio Cultural Brasileiro nesta quarta-feira (26), durante o segundo dia da 111ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Considerado o templo de Jarê mais antigo ainda em funcionamento no país, o espaço recebeu o reconhecimento pela relevância histórica e simbólica para a cultura afro-brasileira. O parecer aprovado destacou que a prática religiosa representa manifestação viva da diversidade cultural e testemunho da resistência das populações negras na formação de seus territórios espirituais. Segundo a conselheira relatora Desiree Ramos Tozi, o terreiro preserva elementos materiais e imateriais que expressam a permanência de uma tradição singular do Jarê, religião que teve origem com mulheres nagôs nas cidades de Andaraí e Lençóis, trazidas da Costa da Mina, região correspondente a Gana, Togo, Benim e Nigéria. Além do terreiro baiano, outros três bens receberam o título de Patrimônio Cultural Brasileiro na mesma reunião. No Rio de Janeiro, o Edifício da antiga Repartição Central de Polícia, conhecido como antigo DOPS, foi tombado por sua ligação direta com períodos de repressão política durante a ditadura militar e o Estado Novo. O relator José Ricardo Oriá destacou que o imóvel representa um marco de memória traumática no país. Em São Paulo, foi tombada a Fábrica de Tecidos São Luis, no município de Itu. Fundada em (1869), a unidade foi a primeira do estado a operar com maquinismo movido a vapor e é uma das poucas fábricas do período imperial ainda existentes, registrando os primeiros passos da industrialização brasileira. Já no Espírito Santo, o Sítio Histórico e Arqueológico de São José de Queimado, em Serra, também recebeu proteção federal. O local preserva as ruínas da igreja que foi palco, em (1849), de uma rebelião envolvendo cerca de 300 pessoas escravizadas, episódio considerado simbólico na luta pela liberdade no país.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou um novo sítio arqueológico na comunidade quilombola da Rocinha, em Livramento de Nossa Senhora, no Sudoeste da Bahia. O local, identificado como Pedra da Varanda, passa a integrar o conjunto de áreas reconhecidas oficialmente pelo órgão no município. O primeiro registro arqueológico em Livramento havia sido feito anteriormente também na Rocinha, na Pedra do Sobradinho, conhecida pelas formações rochosas e pelos vestígios de antigas ocupações humanas encontrados no local. A ação contou com o apoio da Brigada Guardiões Ambientais da Serra das Almas (Gasa), grupo comunitário que atua na proteção e valorização do patrimônio natural e cultural da região. De acordo com a brigada, o processo de mapeamento arqueológico ainda está em andamento. Restam cinco áreas a serem catalogadas, situadas nas regiões de Loca do Índio, Tabuleiro, Monte Oliveira, além de um novo ponto na Rocinha e outro em São Timóteo. Com o avanço das pesquisas, Livramento de Nossa Senhora vem se destacando como um dos territórios de maior relevância arqueológica do interior baiano, reforçando a importância da preservação do patrimônio histórico e cultural associado às comunidades tradicionais e aos povos originários que habitaram a região.