A promotora de Justiça do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Lívia Maria Sant’Anna Vaz, usou as redes sociais para relatar que foi assediada de forma agressiva e racista enquanto corria na orla de Salvador, na companhia de uma amiga.Praias e ilhas Segundo o relato, o caso aconteceu pela manhã, durante o aquecimento antes da corrida. Um homem desconhecido se aproximou por trás e passou a proferir obscenidades, inicialmente sem que as vítimas tivessem certeza de que as falas eram direcionadas a elas. A situação se agravou quando o agressor se colocou ao lado de Lívia e repetiu os comentários. Em vídeo publicado nas redes, a promotora contou que questionou se o homem falava com ela. A resposta, segundo ela, foi ainda mais ofensiva. “Ele disse: ‘Você é preta e não aceita elogio? Qual é o problema em fazer um elogio?’”, relatou. Ao afirmar que não o conhecia e pedir que se afastasse, Lívia disse que o homem seguiu adiante, mas passou a retornar repetidamente, durante cerca de cinco a sete minutos, dirigindo-se às duas mulheres em tom ameaçador. Ainda de acordo com a promotora, em determinado momento, o agressor desferiu um soco violento em uma lixeira da orla. Para Lívia, a atitude evidencia não apenas o assédio, mas também o componente racial da agressão. “Será que se fosse uma mulher branca, ele teria reagido assim? Quando ele diz ‘você é preta’, ele está dizendo que está autorizado a impor um elogio e que eu sou obrigada a aceitar. Quando não aceita, ele reage com força bruta”, afirmou. O relato gerou ampla repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre assédio, racismo e violência contra mulheres em espaços públicos.
O advogado baiano João Neto, acusado de agredir a namorada, criticou publicamente a suspensão temporária de seu registro profissional pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Em vídeo publicado nas redes sociais, João Neto aparece em um imóvel de alto padrão e confirma a suspensão de sua carteira da OAB, afirmando que a medida seria motivada por preconceito racial. “Esse negro aqui vai continuar vivendo bem, comprando o que quiser. Não vão me impedir. Só posso atribuir isso ao racismo”, declarou. Na legenda da publicação, o advogado questionou o posicionamento da OAB: “Por que a OAB protege alguns em casos graves como tráfico ou corrupção, mas não se posiciona quando se trata de um advogado negro, filho da periferia? Dois pesos, duas medidas?” A suspensão, válida por 90 dias, foi determinada após a conclusão de um processo ético-disciplinar e entrou em vigor no mesmo dia em que Neto foi liberado do presídio Baldomero Cavalcante, em Maceió (AL), onde ficou preso por 29 dias sob suspeita de agredir a namorada. A decisão foi aprovada de forma unânime pela Turma Especializada da OAB e publicada no Diário Eletrônico da instituição em 9 de maio, passando a valer oficialmente em 13 de maio. Segundo a OAB, a suspensão não está relacionada diretamente à acusação de agressão, mas sim ao comportamento de João Neto em redes sociais e entrevistas, considerado incompatível com a ética profissional exigida pela entidade. O processo disciplinar que resultou na punição é anterior à prisão do advogado. Até o momento, a OAB não comentou as declarações do advogado. João Neto segue ativo nas redes sociais e afirma que continuará suas atividades, mesmo com a penalidade em vigor.
A mãe de um menino de seis anos denunciou um caso de racismo contra a criança em uma escola particular de Feira de Santana, a 100 km de Salvador. O episódio ocorreu no dia 6 de novembro, mas ganhou repercussão nas redes sociais nesta semana. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil da Bahia (PC-BA). Segundo a denúncia, feita pela cirurgiã-dentista Nayane Barreto, de 32 anos, o filho foi agredido pela mãe de uma colega da mesma escola. A mulher teria pegado o menino pelo braço e exigido que ele mostrasse onde estava o brinquedo perdido por sua filha. Após o garoto explicar que não estava com o objeto, a mulher teria dito: "Escurinhos todos se parecem". Nayane relatou que encontrou o filho sozinho, assustado e chorando no momento em que foi buscá-lo na escola. Ao questionar a agressora sobre o ocorrido, recebeu a confirmação do ato e ouviu a frase racista. A mãe procurou a direção da escola, mas foi orientada a retornar no dia seguinte. Segundo ela, nenhuma medida foi tomada pela instituição. “Durante o último mês de aula do meu filho, encontramos diariamente com a agressora nas instalações da escola. Nenhum tipo de atitude foi tomada, nem como medida corretiva ou educativa e nem como apoio ao meu filho e minha família”, lamentou Nayane. Após a repercussão do caso nas redes sociais, Nayane recebeu relatos de outras famílias que passaram por situações semelhantes em escolas particulares. Segundo ela, muitas dessas famílias decidiram retirar os filhos das instituições devido à falta de ações efetivas contra práticas discriminatórias. A escola publicou uma nota oficial nas redes sociais afirmando que adotou medidas desde que tomou conhecimento do caso, incluindo ouvir as famílias envolvidas e registrar os depoimentos por escrito. No entanto, negou qualquer omissão diante da denúncia. A Polícia Civil informou que já ouviu a mãe da vítima e testemunhas e que a suspeita será interrogada em breve. O caso está sob responsabilidade da 1ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin). Em maio deste ano, outro caso de preconceito foi relatado na mesma instituição. As mães de uma menina com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denunciaram homofobia após serem impedidas de participar juntas da celebração do Dia das Mães. Segundo elas, não houve retratação ou apoio por parte da escola. Ambos os casos reacendem debates sobre discriminação em ambientes escolares e destacam a necessidade de ações mais efetivas para combater preconceitos e garantir um ambiente seguro para todos os alunos.
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