Por: Alan Rich / Blog Sudoeste | sex, 01/05/2026 - 05:00
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, falou pela primeira vez sobre sua participação na facilitação da fuga de 16 detentos, ocorrida em dezembro de 2024. Atualmente em prisão domiciliar, ela concedeu entrevista nesta quinta-feira (30) e negou ter mantido um relacionamento amoroso com o traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada.
Segundo o relato de Joneuma, os encontros com o detento tinham como objetivo facilitar a comunicação com o deputado federal Uldurico Júnior, apontado nas investigações como a figura central que exercia influência sobre o presídio. A ex-diretora afirmou que não recebia valores pessoais pelo esquema e relatou ter sido prejudicada pelos boatos sobre sua vida pessoal, destacando que o parlamentar seria o pai de sua filha, mas que nunca assumiu a paternidade.
Joneuma manifestou arrependimento pelas decisões tomadas durante sua gestão. O caso provocou uma reestruturação na unidade prisional, determinada pelo juiz titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis, Otaviano Sobrinho. O magistrado, responsável pelo afastamento de toda a diretoria na época, segue sob forte esquema de segurança devido a ameaças recebidas.
Mesmo após mais de um ano do afastamento da cúpula do presídio, o juiz mantém escolta policial armada 24 horas por dia e utiliza colete à prova de balas para exercer suas funções. Ele afirmou que, apesar do risco à segurança institucional, não permitirá que o medo interfira em suas decisões judiciais. A reportagem não localizou a defesa ou representantes do deputado Uldurico Júnior para comentar as declarações.
Por: Alan Rich / Blog Sudoeste | sex, 24/04/2026 - 14:00
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) exonerou Sergio Vinicius Tanure dos Santos do cargo de diretor-adjunto do Conjunto Penal de Eunápolis, no Sul da Bahia. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (24), e Ernani Pereira Silva foi nomeado para assumir a vaga.
A mudança ocorre em meio à forte repercussão da delação de Joneuma Silva Neres, ex-diretora da unidade prisional, cujo conteúdo veio a público no último sábado (18). Em depoimento ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), Joneuma detalhou sua participação para facilitar a fuga de 16 detentos do presídio, ocorrida em 12 de dezembro de 2024.
Segundo a ex-diretora, ela agiu a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB), com quem mantinha um relacionamento. A negociação para a fuga teria envolvido R$ 2 milhões, com pelo menos R$ 200 mil pagos antecipadamente. Uldurico Júnior nega as acusações.
Esta não é a primeira alteração na direção da unidade prisional ligada ao episódio. Em agosto de 2025, o governador já havia exonerado Jorge Magno Alves do cargo de diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, nomeando Fabrizio Gama e Narici para o posto. Joneuma havia sido indicada por Uldurico para comandar o presídio e foi nomeada em março de 2024, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo na Bahia.
Por: Alan Rich / Blog Sudoeste | sáb, 18/04/2026 - 11:00
O ex-ministro Geddel Vieira Lima se manifestou neste sábado (18) após ter seu nome citado na delação premiada da ex-diretora Joneuma Silva Neres, presa em Eunápolis, no Extremo Sul da Bahia. Geddel negou qualquer envolvimento e acusou o ex-deputado Uldurico Jr. de ter "problemas psiquiátricos" e ser "envolvido com drogas", utilizando seu nome para acobertar crimes.
A delação de Joneuma, que facilitou a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024, teria apontado cobranças de R$ 1 milhão por parte de Geddel a Uldurico Jr. Em declaração ao BNews, o ex-ministro afirmou que tratava Uldurico apenas como um quadro partidário e que só descobriu seu "caráter e vagabundagem" após o ocorrido.
Geddel descartou qualquer relação com a ex-diretora e classificou Uldurico como "inconsequente e irresponsável". "O caso dele é psiquiátrico, tem que ter tratamento psiquiátrico. Ele é envolvido com drogas", declarou, pedindo rigor da Justiça contra o ex-deputado por usar seu nome "descaradamente" para acobertar crimes de terceiros.
A reportagem tentou contato com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (SEAP-BA) para posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação.
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, firmou delação premiada com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e apontou o suposto envolvimento do ex-deputado federal Uldurico Júnior (MDB) com uma facção criminosa atuante no Extremo Sul da Bahia. A prisão do ex-parlamentar ocorreu na quinta-feira (16), em Praia do Forte, no Litoral Norte da Bahia.
Segundo a delação, divulgada inicialmente pelo Bahia Notícias, Uldurico Júnior teria exercido alta influência dentro do sistema prisional, utilizando a estrutura da unidade para se articular com detentos, incluindo Ednaldo Pereira de Souza, líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis. A colaboradora indicou que o grupo inicialmente atuou na captação de votos entre presos provisórios, familiares e contatos externos, com o esquema envolvendo o pagamento de R$ 100 por voto, intermediado por integrantes da facção.
Joneuma Silva Neres revelou ainda que sua nomeação para o cargo teria sido estratégica para facilitar interesses dentro do presídio. Após perder a eleição municipal de 2024 em Teixeira de Freitas, também no Sul da Bahia, Uldurico Júnior teria pressionado por recursos, culminando em um acordo de R$ 2 milhões com a facção para facilitar a fuga de detentos.
A fuga, que ocorreu em 12 de dezembro de 2024, resultou na escapada de 16 presos do Conjunto Penal de Eunápolis, após abrirem um buraco na estrutura. Até o momento, 13 permanecem foragidos, dois foram mortos e um foi recapturado.
Uma operação conjunta realizada na última segunda-feira (10) pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap) resultou na transferência de 140 detentos do regime semiaberto do Presídio Advogado Nilton Gonçalves para o Conjunto Penal de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. A ação contou com o apoio da Polícia Penal, do Grupo Especial de Operações Prisionais (Geop) e da Polícia Militar. A medida segue o provimento publicado em 23 de outubro de 2025 pela Corregedoria-Geral da Justiça da Bahia, que regulamenta o cumprimento de pena e a redistribuição de internos entre unidades prisionais do estado. O documento, assinado pelo desembargador Roberto Maynard Frank, prorrogou por 60 dias o prazo para a conclusão do processo de reorganização estrutural do sistema prisional. O Presídio Nilton Gonçalves, localizado no bairro Kadija, possui capacidade para 187 vagas e abriga presos do sexo masculino em regime semiaberto e detentas provisórias. Já o Conjunto Penal de Vitória da Conquista, situado na rodovia que liga o município a Barra do Choça, tem capacidade para 750 internos e recebe presos dos regimes fechado e semiaberto. Segundo a Seap, a transferência faz parte de um processo de readequação física e de segurança nas unidades prisionais da região sudoeste, com o objetivo de garantir a separação adequada entre os regimes e otimizar o espaço destinado aos custodiados. Toda a operação foi acompanhada por equipes da Polícia Penal, Polícia Militar e representantes da secretaria, com reforço na segurança durante o transporte dos detentos.
Uma mulher foi presa em flagrante na manhã de quarta-feira (13) ao tentar entrar no Conjunto Penal de Juazeiro, norte da Bahia, com cerca de 140 g de maconha escondida nas partes íntimas. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), o scanner corporal Bodyscan detectou um volume suspeito durante a revista de rotina. Questionada, a visitante admitiu que levava a droga, embalada em um invólucro, para entregar a um interno da unidade. Após a confirmação, agentes conduziram a mulher à sala de segurança, onde foram adotados os procedimentos administrativos. Em seguida, ela foi encaminhada ao Departamento de Polícia de Juazeiro, onde teve o flagrante lavrado por tráfico de drogas. A substância apreendida foi enviada para perícia. A Seap informou que reforçou a fiscalização com equipamentos de imagem em todas as unidades prisionais do estado para coibir a entrada de ilícitos.