A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, falou pela primeira vez sobre sua participação na facilitação da fuga de 16 detentos, ocorrida em dezembro de 2024. Atualmente em prisão domiciliar, ela concedeu entrevista nesta quinta-feira (30) e negou ter mantido um relacionamento amoroso com o traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada.
Segundo o relato de Joneuma, os encontros com o detento tinham como objetivo facilitar a comunicação com o deputado federal Uldurico Júnior, apontado nas investigações como a figura central que exercia influência sobre o presídio. A ex-diretora afirmou que não recebia valores pessoais pelo esquema e relatou ter sido prejudicada pelos boatos sobre sua vida pessoal, destacando que o parlamentar seria o pai de sua filha, mas que nunca assumiu a paternidade.
Joneuma manifestou arrependimento pelas decisões tomadas durante sua gestão. O caso provocou uma reestruturação na unidade prisional, determinada pelo juiz titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis, Otaviano Sobrinho. O magistrado, responsável pelo afastamento de toda a diretoria na época, segue sob forte esquema de segurança devido a ameaças recebidas.
Mesmo após mais de um ano do afastamento da cúpula do presídio, o juiz mantém escolta policial armada 24 horas por dia e utiliza colete à prova de balas para exercer suas funções. Ele afirmou que, apesar do risco à segurança institucional, não permitirá que o medo interfira em suas decisões judiciais. A reportagem não localizou a defesa ou representantes do deputado Uldurico Júnior para comentar as declarações.




