Por: Alan Rich / Blog Sudoeste | sex, 01/05/2026 - 05:00
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, falou pela primeira vez sobre sua participação na facilitação da fuga de 16 detentos, ocorrida em dezembro de 2024. Atualmente em prisão domiciliar, ela concedeu entrevista nesta quinta-feira (30) e negou ter mantido um relacionamento amoroso com o traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada.
Segundo o relato de Joneuma, os encontros com o detento tinham como objetivo facilitar a comunicação com o deputado federal Uldurico Júnior, apontado nas investigações como a figura central que exercia influência sobre o presídio. A ex-diretora afirmou que não recebia valores pessoais pelo esquema e relatou ter sido prejudicada pelos boatos sobre sua vida pessoal, destacando que o parlamentar seria o pai de sua filha, mas que nunca assumiu a paternidade.
Joneuma manifestou arrependimento pelas decisões tomadas durante sua gestão. O caso provocou uma reestruturação na unidade prisional, determinada pelo juiz titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis, Otaviano Sobrinho. O magistrado, responsável pelo afastamento de toda a diretoria na época, segue sob forte esquema de segurança devido a ameaças recebidas.
Mesmo após mais de um ano do afastamento da cúpula do presídio, o juiz mantém escolta policial armada 24 horas por dia e utiliza colete à prova de balas para exercer suas funções. Ele afirmou que, apesar do risco à segurança institucional, não permitirá que o medo interfira em suas decisões judiciais. A reportagem não localizou a defesa ou representantes do deputado Uldurico Júnior para comentar as declarações.
Por: Alan Rich / Blog Sudoeste | ter, 21/04/2026 - 00:00
O Jornal Nacional, da TV Globo, exibiu, na noite desta segunda-feira (20), imagens da delação premiada de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, no Extremo Sul da Bahia. No trecho veiculado pela TV Globo, ela admite ter feito "vista grossa" para o barulho de uma furadeira usada pelos presos para abrir a parede da unidade, e revela que parte da propina do ex-deputado federal Uldurico Júnior foi entregue em uma caixa de sapatos.
No vídeo, Joneuma atribui o sucesso da fuga, ocorrida em dezembro de 2024, a uma combinação de fatores: a cópia das chaves, a demora da polícia e os servidores presentes na unidade naquele dia. Ela creditou a organização do plano a Ednaldo Pereira de Souza, o "Dada", líder do Primeiro Comando de Eunápolis, descrevendo a ação como "muito bem elaborada, com apoio logístico muito bom". Ao final do trecho, concluiu: "Todo o resto colaborou."
Na mesma data, uma operação do MP-BA, da SSP-BA e das Polícias Civis da Bahia e do Rio de Janeiro foi deflagrada no Vidigal, Zona Sul do Rio, com o objetivo de prender o "Dada" e outras lideranças da facção escondidas na região. O alvo principal não foi localizado, mas Núbia Santos Oliveira, apontada como operadora financeira do grupo e esposa do também líder Wallas Souza Soares, o "Patola", foi presa. Ela tinha dois mandados em aberto por tráfico e homicídio.
Por: Alan Rich / Blog Sudoeste | sáb, 18/04/2026 - 11:00
O ex-ministro Geddel Vieira Lima se manifestou neste sábado (18) após ter seu nome citado na delação premiada da ex-diretora Joneuma Silva Neres, presa em Eunápolis, no Extremo Sul da Bahia. Geddel negou qualquer envolvimento e acusou o ex-deputado Uldurico Jr. de ter "problemas psiquiátricos" e ser "envolvido com drogas", utilizando seu nome para acobertar crimes.
A delação de Joneuma, que facilitou a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024, teria apontado cobranças de R$ 1 milhão por parte de Geddel a Uldurico Jr. Em declaração ao BNews, o ex-ministro afirmou que tratava Uldurico apenas como um quadro partidário e que só descobriu seu "caráter e vagabundagem" após o ocorrido.
Geddel descartou qualquer relação com a ex-diretora e classificou Uldurico como "inconsequente e irresponsável". "O caso dele é psiquiátrico, tem que ter tratamento psiquiátrico. Ele é envolvido com drogas", declarou, pedindo rigor da Justiça contra o ex-deputado por usar seu nome "descaradamente" para acobertar crimes de terceiros.
A reportagem tentou contato com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (SEAP-BA) para posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação.