Por: Alan Rich / Blog Sudoeste | ter, 05/05/2026 - 14:00
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tem um prazo de 12 meses para concluir o processo de regularização fundiária de três comunidades quilombolas no interior da Bahia. A determinação é da 11ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que manteve a sentença da 1ª Vara Federal de Vitória da Conquista e fixou multa diária de R$ 500 em caso de descumprimento.
A ação foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF) devido à demora do órgão em finalizar o procedimento, que teve início ainda em 2008. O processo abrange o reconhecimento e a titulação das terras ocupadas pelas comunidades de Ribeirão do Paneleiro, Batalha e Lagoa do Arroz.
O relator do caso, desembargador federal Newton Ramos, destacou a omissão do poder público, ressaltando que a administração tem a obrigação de concluir procedimentos em tempo razoável. O magistrado rejeitou a justificativa do Incra sobre dificuldades administrativas, argumentando que tais entraves não podem interromper indefinidamente o exercício de direitos fundamentais e a preservação da identidade cultural de povos tradicionais.
A decisão foi unânime e reforçou que as limitações orçamentárias ou administrativas da autarquia não podem se sobrepor à garantia do mínimo existencial e da dignidade humana.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou um novo sítio arqueológico na comunidade quilombola da Rocinha, em Livramento de Nossa Senhora, no Sudoeste da Bahia. O local, identificado como Pedra da Varanda, passa a integrar o conjunto de áreas reconhecidas oficialmente pelo órgão no município. O primeiro registro arqueológico em Livramento havia sido feito anteriormente também na Rocinha, na Pedra do Sobradinho, conhecida pelas formações rochosas e pelos vestígios de antigas ocupações humanas encontrados no local. A ação contou com o apoio da Brigada Guardiões Ambientais da Serra das Almas (Gasa), grupo comunitário que atua na proteção e valorização do patrimônio natural e cultural da região. De acordo com a brigada, o processo de mapeamento arqueológico ainda está em andamento. Restam cinco áreas a serem catalogadas, situadas nas regiões de Loca do Índio, Tabuleiro, Monte Oliveira, além de um novo ponto na Rocinha e outro em São Timóteo. Com o avanço das pesquisas, Livramento de Nossa Senhora vem se destacando como um dos territórios de maior relevância arqueológica do interior baiano, reforçando a importância da preservação do patrimônio histórico e cultural associado às comunidades tradicionais e aos povos originários que habitaram a região.